Escravidão do Aeronauta – I capítulo
10/01/2012
Credito:Autor Desconhecido
Lamentável o projeto de lei do senado número 434, de 2011, de autoria do senador Blairo Maggi.
Esse projeto objetiva revogar a lei 7183, de 05 de abril de 1984, assinada pelo então presidente João Figueiredo.
Cabe ressaltar que a lei em vigor foi muito bem elaborada, com bases médicas, com conhecimento de causa e muito flexível, tanto para patrões, quanto para os empregados. O principal foco da lei 7183/84 é garantir a segurança do voo, modelo este considerado um dos melhores do mundo.
Em recente pesquisa, e com base em estudos médicos e psicológicos realizados nos Estados Unidos da América e na Europa, foi comprovado que a profissão mais estressante é a dos aeronautas.
Vale lembrar ainda, que com o aumento do fluxo do tráfego aéreo, e com a utilização de tecnologia de ponta na aviação, os pilotos em seus dias de repouso e folga, estudam arduamente, em vez de descansar, pois suas decisões além de acertadas tem que ser muito rápidas e as cobranças são absurdas.
Por tudo isso, a lei 7183 é atualíssima e não deve ser substituída como quer o senador Blairo. O problema a ser combatido é a saturação da infraestrutura aeroportuária, como deveria saber o desinformado senador, e que esta saturação intensifica o estres, especialmente da tripulação de voo, que atinge níveis alarmantes, e que os aeronautas não devem ser penalizados pela falta de investimentos por parte do Governo Federal.
Na Europa, que serve de exemplo para o projeto do senador, a infraestrutura é sensivelmente superior a do Brasil, o que torna menos estressante a jornada de trabalho do aeronauta, permitindo que a regulamentação europeia seja maior que a brasileira, lembrando também ao “esquecido” senador que os salários europeus, americanos, asiáticos, e do oriente médio, são substancialmente superiores ao dos percebidos pelos brasileiros.
O senador Blairo Maggi, alega que sua proposta não representará risco para a segurança dos voos. Com que base ele utiliza este argumento? Aeronautas, sindicatos, controladores de voo, médicos especializados em Medicina Aeronáutica não foram consultados sobre o aumento da jornada de trabalho proposta!
Este projeto de lei visa exclusivamente reduzir os custos das empresas aéreas, sem levar em conta a segurança das pessoas, pois, não foi elaborado por especialistas da área, como no caso da lei 7183.
Quando acidentes e incidentes aeronáuticos começarem devido ao cansaço da tripulação resultante deste aumento na jornada de trabalho, o que fará o digno senador para solucionar o transtorno por ele causado?